Contratos Futuros: guia completo, prático e avançado
Contratos Futuros: guia completo, prático e avançado
Por Equipe Wolfstoke • 11 de janeiro de 2026 • 23 min de leitura
Contratos futuros são instrumentos derivativos que permitem travar preços, alavancar exposições e fazer hedge em praticamente qualquer mercado: índices acionários (Ibovespa, S&P 500), moedas (dólar, euro), commodities (petróleo, ouro, soja, café), taxas de juros (DI, Treasuries) e até volatilidade. Eles combinam padronização de bolsa, margem de garantia, ajustes diários e liquidação centralizada para reduzir risco de contraparte, enquanto oferecem liquidez profunda. Este manual aprofunda a estrutura, precificação, operação, riscos e estratégias para que você domine futuros com rigor de gestão de risco e clareza tática.
1. O que é um contrato futuro
Um futuro é um acordo padronizado negociado em bolsa para comprar ou vender um ativo em data futura por um preço determinado hoje. Diferentemente de contratos a termo (OTC), futuros são marcados a mercado diariamente, exigem margens de garantia e contam com contraparte central (clearing) que reduz risco de crédito.
1.1 Padronização
- Vencimento: datas definidas (ex.: vencimento mensal de índice e dólar na B3).
- Lote: tamanho fixo (ex.: mini-índice equivale a R$ 0,20 por ponto; cheio a R$ 1,00 por ponto).
- Moeda e cotação: regra de cotação clara (pontos, centavos ou dólares).
- Liquidação: financeira (ajuste diário) ou física (entrega da commodity ou ativo).
1.2 Ajuste diário e clearing
Todos os dias a bolsa calcula o preço de ajuste. Ganhos e perdas são creditados e debitados nas contas dos participantes, reduzindo risco de inadimplência. A clearing atua como contraparte central, garantindo liquidação mediante exigência de margens de garantia e, se necessário, chamadas de margem adicionais.
2. Participantes e motivação
- Hedgers: produtores, exportadores, importadores, gestores que protegem preços futuros (ex.: hedge cambial, hedge de taxa de juros).
- Especuladores: buscam lucro com movimentos de preço; fornecem liquidez.
- Arbitradores: exploram discrepâncias entre futuro e mercado à vista ou entre curvas diferentes.
- Formadores de mercado: mantêm bid/ask para garantir liquidez mínima.
3. Mercados e exemplos populares
- Índices: Ibovespa (IND/WIN), S&P 500 (ES), Nasdaq (NQ), Nikkei (NK), DAX (FDAX).
- Moedas: Dólar futuro (DOL/WDO), Euro, Libra, futuros de dólar no CME.
- Commodities: Petróleo (CL/WTI), Brent (BRN), Ouro (GC), Soja (ZS), Café (KC), Milho (ZC).
- Taxa de juros: DI futuro (DI1) na B3, Fed Funds, Eurodólar, Treasuries no CME.
- Volatilidade: VIX futures (VX).
4. Margem de garantia e alavancagem
- Margem inicial: depósito exigido para abrir posição; calculada por modelos de risco (SPAN/PRISM).
- Margem de manutenção: nível mínimo; queda abaixo gera chamada de margem.
- Alavancagem: controle de uma posição grande com capital pequeno; amplifica ganhos e perdas.
- Tipos de garantia: dinheiro, títulos públicos, CDBs elegíveis, ações com haircut.
4.1 Exemplo numérico
Comprar 1 mini-índice (WIN) a 120.000 pontos: cada ponto vale R$ 0,20, tamanho nocional de R$ 24.000. Margem típica de R$ 1.500 gera alavancagem de ~16x. Um movimento de 1.000 pontos (0,83%) resulta em R$ 200 de ganho ou perda (~13% da margem).
5. Precificação: base e custo de carregamento
- Teoria do custo de carregamento: Futuro = Spot × e^{(r+custos-juros do ativo)*t}.
- Base: diferença entre preço futuro e à vista; converge para zero no vencimento (em mercados sem fricções).
- Convenience yield: benefício de deter o ativo físico, relevante em commodities.
- Contango vs backwardation: curva inclinada positivamente (contango) quando custo de carregamento é maior; negativamente (backwardation) quando há prêmio pela posse do físico.
5.1 Índice e ações
Em índices, o custo de carregamento inclui juros (DI) menos dividendos esperados (yield). Futuros de índice podem negociar com ágio ou desconto ao spot conforme expectativas de dividendos e taxas.
5.2 Moedas
Paridade de juros: Futuro de dólar reflete diferencial de juros entre as moedas (doméstica e estrangeira). Em mercados com controles, distorções podem ocorrer.
5.3 Commodities
Armazenagem, seguro e custo de capital influenciam contango. Escassez ou demanda imediata pode gerar backwardation.
6. Ajuste diário e marcação a mercado
- Ajuste: diferença entre preço de ajuste de hoje e de ontem multiplicada pelo tamanho do contrato.
- Efeito no caixa: lucros são creditados e podem ser sacados; perdas exigem aporte.
- Volatilidade de margem: em períodos de stress, margens aumentam e exigem colchão de liquidez.
7. Liquidação e vencimentos
- Financeira: índices e moedas na B3 são liquidados financeiramente no último dia útil do vencimento; posição é zerada pela clearing.
- Física: algumas commodities exigem entrega; traders costumam rolar antes para evitar recebimento/entrega.
- Rolo (roll): fechar o contrato vencendo e abrir no próximo vencimento; rolagem pode gerar custo (contango) ou ganho (backwardation).
8. Riscos e gestão
- Risco de mercado: movimentos adversos amplificados pela alavancagem.
- Risco de liquidez: spreads podem abrir em eventos macro; contratos menos líquidos têm maior slippage.
- Risco operacional: erros de digitação (fat finger), ordens sem stop, horário de corte.
- Risco de margem: chamadas intradiárias podem forçar liquidação.
- Risco de base: hedge imperfeito se futuro e ativo alvo não forem perfeitamente correlacionados.
8.1 Mitigação
- Stops técnicos ou por valor de risco (VaR).
- Uso de limites de perda diária e máxima.
- Risco por posição e por dia de volatilidade (ATR, sigma).
- Colchão de caixa para margens adicionais.
- Diversificação de vencimentos e contratos.
9. Estratégias clássicas com futuros
9.1 Hedge
- Produtor: vende futuro de soja para travar preço de safra.
- Importador: compra futuro de dólar para travar custo.
- Gestor de ações: vende futuro de índice para proteger carteira (beta hedge).
- Renda fixa: usa DI futuro para fixar taxa em operações de crédito ou debêntures.
9.2 Especulação direcional
- Long/short em tendência, rompimentos, reversões.
- Uso de stops e dimensionamento por volatilidade.
9.3 Arbitragem
- Cash and carry: compra à vista, vende futuro quando há prêmio excessivo, financiando ao custo de juros.
- Calendar spread: compra um vencimento e vende outro para capturar distorções na curva.
- Intermarket: spreads entre commodities correlacionadas (crack spread, crush spread).
9.4 Estratégias estruturadas
- Box: travas de DI combinando compra e venda de vencimentos diferentes para arbitrar curva.
- Pairs trade: long/short entre índices (ex.: Nasdaq vs S&P) ou moedas.
- Proteção de carteira: overlay com futuros de índice ou dólar.
10. Gestão de posições e operação intraday
- Ritmo de volatilidade: calibrar tamanho em função do ATR do contrato.
- Sessões: abertura (gap), leilões, pregão estendido; ajuste de liquidez.
- Stops técnicos: atrás de suportes/resistências ou múltiplos de ATR.
- Gestão ativa de margem: retirar lucro para reduzir exposição não intencional.
11. Considerações para minicontratos
- WIN/WDO: acessíveis para varejo; alavancagem elevada.
- Risco de concentração: cuidado com sobrealavancagem por facilidade de acesso.
- Custos: corretagem zero em muitos casos, mas há emolumentos e ISS sobre corretagem.
- Slippage: minis têm boa liquidez, mas spreads podem abrir em horários de baixa.
12. Curva de juros e DI futuro
- DI1: reflete expectativas de taxa CDI diária até o vencimento.
- Marcação: variação de taxa em pontos-base impacta PU; fórmula de taxa efetiva.
- Hedge de crédito: empresas ou fundos podem usar DI para travar custo de financiamento.
- Relação com NTN-B/NTN-F: deslocamentos da curva futura afetam marcação de renda fixa.
13. Futuros internacionais e câmbio
- CME/ICE: maior liquidez global em moedas, commodities e índices.
- Time zones: rolagem e volatilidade dependem de pregões globais.
- Margem cruzada: algumas corretoras permitem compensar margens entre contratos correlacionados.
- FX hedge: posição em dólar futuro pode proteger exposição internacional de portfólios.
14. Regulação e requisitos
- Brasil (B3/CVM): contratos padronizados, margem definida pela clearing; suitability exigido por corretoras.
- Circuit breakers: índices podem ser pausados em eventos extremos.
- Posição limite: algumas bolsas limitam tamanho de posição para evitar concentração.
- Horários: futuros de índice e dólar têm pregão estendido; saber horários de ajustes e leilões.
15. Indicadores e ferramentas de análise
- Volume e aberto (open interest): medem liquidez e interesse; aumentos sinalizam entrada de novos players.
- COT reports: em mercados internacionais, mostram posições de comerciais e não-comerciais.
- Basis e spread: monitorar convergência para o spot.
- Volatilidade implícita: relevante em futuros de VIX e em estratégias com opções sobre futuros.
16. Exemplo de hedge de carteira de ações
Carteira de R$ 500.000 com beta de 1,1 em relação ao Ibovespa. Futuro do Ibovespa (IND) a 120.000 pontos; contrato cheio vale R$ 1,00/ponto (nocional R$ 120.000). Número de contratos para hedge:
N = (Valor da carteira × beta) / nocional do contrato
N = (500.000 × 1,1) / 120.000 ≈ 4,58 → 5 contratos.
Venda de 5 contratos protege contra queda; se o índice cair 5%, ganho nos futuros compensa perda na carteira (ajustado pela diferença de beta).
17. Risco de base em hedges
Mesmo com beta ajustado, divergências podem ocorrer:
- Mudanças de composição do índice vs carteira.
- Dividendos inesperados alterando custo de carregamento.
- Eventos específicos em ativos da carteira não refletidos no índice.
Mitigação: recalibrar beta periodicamente, usar múltiplos contratos (índice setorial + índice amplo) ou overlay de moeda se houver exposição cambial.
18. Commodities: logística e entrega
- Padrões de qualidade: contratos definem especificação do produto (grau, teor, umidade).
- Locais de entrega: pontos específicos; frete pode criar distorções de base regional.
- Estocagem: custos de armazenagem influenciam contango.
- Sazonalidade: safras e estoques impactam curvas.
19. Calendários e eventos
- Vencimentos: saber datas de rollover e último dia de negociação.
- Relatórios: USDA (agro), EIA (petróleo), payroll/FOMC (macro), balanços (índices).
- Risco de evento: spreads e margens aumentam; ajustar exposição.
20. Estratégias com spreads
- Calendar: comprar vencimento curto e vender longo ou vice-versa; menor risco direcional, foco na curva.
- Intercommodity: crude vs gasolina (crack), soja vs farelo/óleo (crush).
- Intra-índice: microestruturas entre mini e cheio (arbitragem eventual).
21. Gestão de risco quantitativa
- VaR e Expected Shortfall: estimar perda máxima provável.
- Stress testing: choques de x desvios padrão ou eventos históricos (crashes).
- Position sizing: risco fixo por trade (ex.: 0,5%-1% do capital).
- Correlações: evitar sobreposição de risco em contratos correlacionados (ex.: S&P e Nasdaq).
22. Custos operacionais
- Emolumentos e taxas de registro: variam por contrato; minis têm custo menor.
- Corretagem: muitas corretoras zeraram; verificar ISS.
- Financiamento de margem: custo de oportunidade do capital travado.
- Slippage: custo implícito em execução; maior em horários ilíquidos.
23. Boas práticas operacionais
- Use ordens limitadas para evitar execuções ruins em livros rasos.
- Tenha planos de contingência para perda de conexão; telefones de mesa.
- Configure alertas para chamadas de margem.
- Mantenha registro de trades e revisão periódica.
- Evite operar em períodos de iliquidez (leilões, feriados internacionais).
24. Casos práticos
24.1 Hedge de exportador
Empresa com receita futura em USD vende contratos de dólar futuro equivalentes à exposição. Se o dólar cair, o ganho no futuro compensa a perda na receita convertida.
24.2 Trader de índice intraday
Opera rompimentos em WIN com stop de 200 pontos e alvo de 400 pontos; controla tamanho para arriscar no máximo 0,5% do capital por trade.
24.3 Arbitragem de curva DI
Identifica inclinação excessiva entre DI Jan/27 e Jan/29; monta spread vendendo longo e comprando curto, buscando convergência.
24.4 Hedge de inflação implícita
Combina compra de IPCA via NTNB e venda de DI para travar juros reais; usa futuros para ajustar duration e risco.
25. Integração com outros derivativos
- Opções sobre futuros: combinam convexidade de opções com liquidez do futuro subjacente.
- Swaps: corporates usam swaps de juros/câmbio; futuros podem servir de hedge do swap mark-to-market.
- ETFs e futuros: arbitragem entre ETF e futuro de índice.
26. Uso em carteiras institucionais
- Overlay de risco: ajustar beta e exposição cambial sem mexer na carteira física.
- Alocação tátil: entrar e sair rapidamente de exposições macro.
- Gestão de caixa: manter exposição ao mercado enquanto caixa está em trânsito.
- Compliance: respeitar limites de alavancagem e concentração.
27. Monitoramento e relatórios
- PNL diária: por contrato e estratégia.
- Greeks em futuros com opções: delta, gamma, vega se usar opções.
- Desvio de base: acompanhar convergência para o spot.
- Margens: acompanhar ajustes da bolsa e potenciais aumentos.
28. Criptofuturos (contexto global)
- Exchanges: CME (BTC, ETH), plataformas cripto com perpétuos.
- Perpétuos: funding rate ajusta preço do perpétuo ao spot; risco de contraparte maior em exchanges não reguladas.
- Custódia: risco operacional de custódia e liquidação.
- Regulação: observar jurisdição e requisitos de KYC/AML.
29. Checklists rápidos
- Qual é a tese? Hedge, especulação, arbitragem?
- Qual o risco máximo por trade e por dia?
- Tamanho da posição respeita margem + colchão?
- Plano de saída: stop de perda, stop de lucro, rolagem?
- Quais eventos (dados, reuniões) afetam o contrato?
- Liquidez: volume e spread adequados ao tamanho?
- Correlação com outras posições na carteira?
30. Perguntas frequentes
Preciso zerar no vencimento?
Não; a clearing liquida financeiramente se você não rolar. Em commodities físicas, é recomendável rolar antes para evitar entrega.
Há come-cotas ou imposto retido?
Operações em futuros seguem regra de IR de renda variável (20% para day trade, 15% para demais), com retenção mínima (IRRF) de 1% no day trade e 0,005% nas demais.
Posso usar ações como margem?
Sim, se a corretora aceitar; aplica-se haircut. Títulos públicos costumam ter haircut menor.
Qual é o horário dos futuros na B3?
Índice e dólar têm pregão estendido; confirmar no site da B3, pois horários mudam em horário de verão norte-americano.
Como calcular o tamanho da posição?
Use volatilidade (ATR), valor por ponto e risco desejado; tamanho = (risco em reais) / (ATR em pontos × valor/ponto).
31. Fontes consultadas
- Wikipédia: Contrato de futuros (definição, história, conceitos de base)
- CME Group: Understanding Futures (estrutura, ajuste, margens)
- B3: Derivativos e contratos futuros (regras locais, horários, margens)
- InfoMoney Guia de Contratos Futuros (contexto brasileiro e exemplos)
- Investopedia: Futures (terminologia e precificação)
Contratos futuros são ferramentas poderosas para hedge, alocação tática e arbitragem, desde que usados com disciplina de risco. A combinação de ajuste diário, margem e liquidez permite movimentos precisos, mas também exige controle emocional e gestão de capital rigorosa. Estruture planos claros, monitore margens e eventos e use futuros como instrumento estratégico dentro da sua jornada na Wolfstoke.
32. Estudos numéricos de base e rolagem
32.1 Contango
Suponha: Ibovespa spot a 120.000; taxa DI anual de 12%; dividend yield anual esperado de 4%. Prazo de 60 dias (~0,1667 ano).
- Custo de carregamento líquido ≈ 12% - 4% = 8% a.a.
- Teórico do futuro ≈ 120.000 × e^{0,08 × 0,1667} ≈ 120.000 × 1,0134 ≈ 121.608.
- Se o futuro negocia a 123.000, há prêmio acima do teórico; arbitradores podem vender futuro e comprar carteira/ETF do índice financiada a DI.
32.2 Backwardation
Petróleo spot a US$ 80; custo de carregamento 5% a.a.; convenience yield implícito de 10% (escassez).
- Futuro teórico ≈ 80 × e^{(0,05 - 0,10) × t}; com t = 0,25 (3 meses), ≈ 80 × e^{-0,0125} ≈ 79,01.
- Se o futuro negocia a US$ 77, há backwardation mais forte; traders físicos podem vender spot e comprar futuro para recompor estoques.
33. Mini vs contrato cheio: quando usar
- Mini (WIN/WDO): adequado para ajuste fino de exposição, testing, alocações menores. Atenção a custos relativos (emolumentos sobre nocional) e liquidez em horários extremos.
- Cheio (IND/DOL): melhor para ordens grandes e arbitragem; menor impacto por contrato, mas exige mais margem.
- Hedge institucional: normalmente usa cheio para eficiência; minis podem complementar o ajuste de beta.
34. Microestrutura e livro de ofertas
- Profundidade: analisar quantidade de contratos nos cinco melhores níveis de preço.
- Slippage esperado: estimar impacto de entrada/saída; ordens grandes devem ser fracionadas.
- Horários críticos: abertura dos EUA (10:30-11:00 BRT), dados macro (payroll, CPI), leilões de fechamento.
- Alphas de microestrutura: uso de VWAP/TWAP para executar sem revelar intenção; cuidado com latência e filas.
35. Relacionamento com opções
- Delta hedge: market makers de opções usam futuros para ajustar delta; isso influencia fluxo intraday.
- Gamma scalping: compra/venda de futuros para capturar variações mantendo delta neutra.
- Volatilidade: futuros podem ter movimentos amplificados por ajustes de opção próximos ao vencimento (pin risk).
36. Gestão de risco comportamental
- Overtrading: alta alavancagem incentiva excesso de operações; definir limite de trades/dia.
- Anchoring: insistir em preço de entrada; priorizar plano, não ego.
- Aversão a stop: aceitar perdas pequenas evita chamadas de margem maiores.
- Diário de bordo: registrar racional e emoção para calibrar disciplina.
37. Requisitos de infraestrutura
- Plataforma: estabilidade, leitura de livro, ordens OCO (stop + alvo).
- Conectividade: internet redundante; backup de energia.
- Dados: feed em tempo real, calendário econômico, notícias.
- API: para quem automatiza; testar em ambiente simulado antes.
38. Compliance e controles internos
- Suitability: corretoras avaliam perfil; contratos futuros exigem conhecimento e aceite de risco.
- Políticas internas: para gestores, limites de risco, autorização de alavancagem, segregação de funções.
- Logs e trilhas: manter registros de ordens para auditoria.
- Prevenção a manipulação: evitar spoofing/layering; bolsas monitoram e punem.
39. Stress de margem e liquidez em crises
- Margens sobem em choques (ex.: 2020, crises cambiais); prepare caixa extra.
- Spreads ampliam; execuções piores. Reduzir tamanho em volatilidade extrema.
- Circuit breakers podem interromper índice; dólar pode ter limites de oscilação intradiária.
- Bolsas podem ajustar limites de posição; acompanhar comunicados.
40. Integração com tesouraria e gestão de caixa
- Aplicação do caixa: margem em dinheiro pode ser remunerada; títulos aceitos reduzem custo de oportunidade.
- Netting de posições: futuros opostos no mesmo ativo/vencimento reduzem margem.
- Exposição líquida: consolidar por fator de risco (delta para índice, DV01 para juros).
- Relatórios de liquidez: projetar necessidades de margem por cenário de stress.
41. Backtesting e modelagem
- Dados históricos: usar séries contínuas ajustadas por rolagem; cuidado com distorções de ajustes.
- Estratégias intraday: spread temporal, rompimentos, reversões; incluir custos e slippage realistas.
- Curva de aprendizado: validar em paper trading antes de produção.
- Robustez: testes fora da amostra e stress tests.
42. Checkpoints de implementação na Wolfstoke
- Configurar alertas de margem e eventos macro.
- Usar painel de risco para acompanhar PNL, VaR e limites de alavancagem.
- Automatizar rolagem com lembretes de vencimento.
- Registrar tese de cada posição e gatilhos de saída.
43. Glossário rápido
- Base: diferença entre preço futuro e spot.
- Contango/Backwardation: inclinação positiva/negativa da curva.
- Open interest: contratos abertos não liquidados.
- Rollover: troca de vencimento.
- Clearing: contraparte central que garante liquidação.
- Haircut: deságio aplicado a garantias não em dinheiro.
- Ajuste diário: marcação a mercado que credita/debita ganhos e perdas.
44. Próximos passos para estudo
- Ler manuais da B3/CME sobre margens e especificações de cada contrato.
- Acompanhar relatórios Commitment of Traders (COT) para ver posicionamento de players.
- Estudar derivativos de segunda ordem (opções sobre futuros) para agregar convexidade.
- Testar estratégias simples (hedge de carteira, roll sistemático) antes de setups complexos.
45. Casos de falha e lições aprendidas
- Falta de caixa para margem: traders lucrativos quebram por não manter reserva; sempre planeje para chamadas adicionais de 2-3x a margem inicial em cenários extremos.
- Rolar tarde demais: deixar para último dia pode resultar em liquidez reduzida e spreads maiores; defina janela de rolagem.
- Hedge mal calibrado: usar número incorreto de contratos ou índice errado deixa parte do risco descoberta; recalibre beta e correlação periodicamente.
- Erro operacional: vender em vez de comprar (fat finger) ou tamanho errado; use confirmações e limites de ordem.
- Desconhecimento de eventos: payroll, FOMC, dados de estoque impactam fortemente preços; zerar ou reduzir exposição antes de eventos se a tese não contempla volatilidade.
46. Perguntas avançadas
Como funciona o ajuste de DI futuro (PU)?
DI é cotado em pontos de taxa; variação de 1 ponto-base tem DV01 específico. O ajuste diário é calculado pela diferença de PU entre ajustes, multiplicada pelo fator por contrato.
Posso fazer hedge de uma carteira global com futuros locais?
Parcialmente, via correlações (ex.: vender Ibovespa para reduzir beta de ações brasileiras, comprar dólar futuro para exposição cambial). Para ações globais, futuros de S&P/Nasdaq são mais eficientes.
O que é calendar spread premium/discount?
Diferença de preço entre vencimentos; pode refletir custo de carregamento, expectativa de eventos ou fluxo técnico. Traders buscam normalização dessa diferença.
Como o funding de perpétuos cripto se relaciona aos futuros tradicionais?
Funding ajusta o preço do perpétuo ao spot de forma contínua, enquanto futuros tradicionais convergem no vencimento. Ambos refletem custo de carregamento, mas o mecanismo é diferente.
Por que margens sobem em eventos?
Clearing recalibra risco com base em volatilidade; margens maiores protegem o sistema. Ajuste sua alavancagem em função do novo requisito.
47. Conclusão ampliada
Dominar futuros exige unir teoria (precificação, base, curvas) e prática (execução, gestão de margem, disciplina). Eles expandem a capacidade de proteger portfólios, capturar distorções e operar movimentos macro com eficiência de capital. Use este guia como referência, mas complemente com simulações, leitura de especificações de contrato e revisão constante dos seus processos. Em ambientes voláteis, sobreviver é a prioridade; ganhos consistentes vêm da gestão cuidadosa de risco, não de apostas isoladas.
Mantenha registro dos aprendizados, revise-os e atualize rotinas de risco periodicamente para que contratos futuros sejam aliados de longo prazo, não fontes de surpresas.